O Dia do Cliente, celebrado nesta terça-feira (15), movimenta as compras online com ofertas divulgadas por lojas, marketplaces e redes sociais. Ao mesmo tempo em que os consumidores procuram preços menores, criminosos aproveitam o aumento das transações para criar anúncios, páginas e mensagens falsas e tentar obter dinheiro ou dados pessoais.
Preços muito abaixo dos praticados normalmente, links enviados por mensagens e anúncios que direcionam para lojas desconhecidas estão entre os sinais que exigem atenção. Antes de concluir uma compra a recomendação é verificar a procedência da empresa e conferir se existem reclamações de outros consumidores.
Sites como o Reclame Aqui podem ser usados nessa pesquisa. Além da quantidade de reclamações, é importante observar se a empresa responde aos clientes e procura solucionar os problemas registrados.
Anúncios, Pix e inteligência artificial exigem atenção
Redes sociais e marketplaces também podem ser usados para conduzir consumidores a páginas que imitam lojas reais. O consumidor pode acessar um anúncio, ser encaminhado para uma página aparentemente legítima, efetuar o pagamento e não receber o produto.
Por isso, a conferência do endereço da loja e da reputação da empresa deve ocorrer antes do pagamento. A pesquisa também ajuda a identificar relatos de consumidores que tiveram problemas com entregas, cobranças ou atendimento.
Os cuidados também valem para transferências por Pix e outros pagamentos digitais. A orientação é conferir o nome do destinatário antes de confirmar a operação, não compartilhar senhas, códigos de segurança ou dados bancários e evitar links e contatos suspeitos.
A especialista em Direito do Consumidor e professora do curso de Direito, Kamila, afirma que o uso cada vez maior dos pagamentos instantâneos exige atenção às informações fornecidas durante uma transação. “Também é fundamental manter os aplicativos e dispositivos atualizados e utilizar os mecanismos de segurança oferecidos pelos bancos”, orienta.
Os golpes também podem usar recursos de inteligência artificial para tornar falsas abordagens mais convincentes. Ferramentas de clonagem de voz e criação de imagens permitem que criminosos imitem familiares, amigos, funcionários de bancos e até autoridades. “Atualmente não basta confiar apenas na voz ou na imagem: é necessário confirmar a identidade por outro meio antes de realizar qualquer pagamento”, explica Kamila.

Principais fraudes em circulação
Entre as abordagens mais frequentes no comércio eletrônico e nas redes sociais estão:
Falso funcionário de banco: ligações ou mensagens que simulam centrais de atendimento para solicitar dados ou confirmações de transações;
Golpe do Pix enviado por engano: criminosos alegam transferência incorreta e pedem o estorno para uma conta diversa;
Falsas ofertas e QR Codes adulterados: anúncios patrocinados em redes sociais que direcionam a páginas clonadas ou geram pagamentos para terceiros;
Falso parente: mensagens urgentes no WhatsApp pedindo transferências imediatas.
O que fazer depois de cair em um golpe
Caso uma fraude seja identificada, o consumidor deve procurar o banco imediatamente e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), utilizado em casos de fraude envolvendo Pix. A medida permite que a instituição tente bloquear e recuperar os valores transferidos, mas não garante que o dinheiro será devolvido.
Também é importante registrar um Boletim de Ocorrência e preservar os registros relacionados ao golpe. Comprovantes de pagamento, capturas de tela das conversas, números de telefone, e-mails e endereços de páginas falsas podem ajudar na apuração.
A responsabilidade do banco depende das circunstâncias de cada situação. Segundo Kamila, é necessário verificar se houve falha na segurança ou na prestação do serviço e se a instituição adotou os mecanismos de prevenção esperados.
“O banco pode adotar medidas para tentar bloquear ou recuperar os valores, inclusive por meio dos mecanismos específicos existentes para situações de fraude. Entretanto, não existe uma garantia de devolução em todos os casos”, afirma.
Para reduzir os riscos, a especialista também recomenda consultar as orientações de prevenção a fraudes disponibilizadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e manter aplicativos e dispositivos atualizados.
Fonte: Portal o Dia